Homem correndo e se hidratando

Hidratação para Corredores: Guia Completo Para Correr Melhor

Nutrição

Atualizado em 12/05/2026 às 18:01

Quem já parou no meio de um treino com câimbras, tontura ou uma fadiga que parece surgir do nada sabe o quanto a falta de água pode arruinar uma sessão — e até colocar a saúde em risco. A hidratação para corredores é um dos pilares que mais influencia o rendimento nas ruas e trilhas do Brasil, mas ainda é tratada com descuido por boa parte dos praticantes, especialmente os iniciantes.

⚕ Aviso importante Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa. Não substitui a avaliação de um médico, fisioterapeuta ou nutricionista. Consulte sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer programa de treino, dieta ou tratamento.

Dados do American College of Sports Medicine indicam que uma perda de apenas 2% do peso corporal em líquido já é suficiente para reduzir o desempenho aeróbico de forma mensurável. No Brasil, onde o calor e a umidade alta são constantes em boa parte do ano — especialmente nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste — essa margem é ainda mais estreita. Um corredor de 70 kg que perde 1,4 kg de suor durante um treino de 45 minutos no sol está, literalmente, correndo com o freio de mão puxado.

Na prática, percebemos que a maioria dos erros de hidratação não acontece durante o treino — acontece muito antes. Corredores que chegam aos treinos já levemente desidratados, que não repõem eletrólitos adequadamente ou que bebem água em excesso por medo da desidratação comprometem o rendimento sem perceber. A linha entre pouco e demais é mais estreita do que parece, e entender essa dinâmica faz toda a diferença na evolução dentro do esporte.

Neste guia, você vai aprender como se hidratar de forma inteligente antes, durante e depois dos treinos; quais sinais de alerta o corpo emite quando o equilíbrio hídrico está comprometido; como o calor brasileiro afeta a estratégia de hidratação; e quando os repositores eletrolíticos e bebidas esportivas realmente fazem sentido. O objetivo é que você nunca mais precise adivinhar se bebeu água suficiente — porque vai saber exatamente o que fazer.

bebendo água hidratação para corredores

Por Que a Desidratação Compromete Tanto o Desempenho na Corrida

O corpo humano é composto por aproximadamente 60% de água, e os músculos, especificamente, chegam a 75% de água em sua composição. Quando o equilíbrio hídrico cai, todo o sistema fisiológico ligado ao esforço físico sofre — não de forma gradual e suave, mas de maneira rápida e perceptível.

O que acontece no organismo quando falta água

Durante a corrida, os músculos trabalham intensamente e geram calor. O mecanismo de resfriamento natural do corpo é o suor — que retira calor da superfície da pele através da evaporação. Para isso funcionar, o volume de sangue precisa estar adequado para transportar o calor dos músculos até a pele. Com a desidratação, o volume plasmático cai, o coração precisa trabalhar mais para bombear o mesmo volume de sangue, e a frequência cardíaca sobe desproporcionalmente ao esforço.

Na prática, isso significa que um pace que normalmente exige 140 bpm pode começar a demandar 155 ou 160 bpm quando você está desidratado. Você corre mais devagar, gasta mais energia e se cansa mais rápido — sem entender exatamente por quê.

As consequências progressivas da desidratação seguem uma ordem reconhecida:

  • Desidratação leve (1 a 2% do peso corporal): Redução da concentração e coordenação motora, aumento da percepção de esforço, início do ressecamento na boca.
  • Desidratação moderada (2 a 4%): Queda mensurável no desempenho aeróbico, câimbras musculares, dor de cabeça e náusea. A partir desse ponto, continuar o treino com intensidade começa a ser arriscado.
  • Desidratação grave (acima de 5%): Risco real de hipertermia (superaquecimento), confusão mental, colapso físico. Emergência médica.

A frequência cardíaca como termômetro da hidratação

Uma das ferramentas mais acessíveis para monitorar o efeito da hidratação no treino é o próprio monitor cardíaco — seja em um relógio esportivo ou em uma fita peitoral. Corredores que percebem a frequência cardíaca muito acima do esperado para o pace e condição climática do dia devem considerar a desidratação como hipótese antes de culpar o condicionamento físico.

Dica Prática: Se você usa um relógio de corrida com monitor cardíaco, compare a sua FC em treinos similares em dias diferentes. Uma variação de 10 a 15 bpm para cima sem mudança de intensidade pode ser sinal de desidratação ou sono insuficiente — dois fatores que muitas vezes andam juntos.

efeitos desidratação corrida infográfico percentual perda líquido

Como Calcular Sua Necessidade de Hidratação

Não existe uma fórmula única que funcione para todo mundo, mas existem referências práticas que podem ser adaptadas à sua realidade. A individualidade biológica, o clima, a intensidade do treino e até a genética influenciam o quanto cada corredor sua — e, portanto, o quanto precisa repor.

A referência dos 500 ml por hora

Durante treinos de moderada a alta intensidade em clima quente, a recomendação geral gira em torno de 400 a 800 ml de água por hora de exercício. Para o Brasil, especialmente em treinos realizados entre 10h e 16h ou em cidades com alta temperatura média — como Fortaleza, Cuiabá, Manaus e Rio de Janeiro nos meses de verão —, o limite superior dessa faixa é o mais recomendado.

Entretanto, treinos realizados de madrugada ou em dias nublados e frios podem demandar bem menos. Um corredor que faz seus 40 minutos às 6h da manhã no sul do Brasil no inverno pode se sair muito bem com 250 a 350 ml durante o treino.

O método do peso para calcular a perda hídrica

Uma forma precisa de entender o quanto você perde em cada condição é usar a balança antes e depois do treino:

  1. Pese-se antes do treino, sem roupas ou com roupas leves e secas.
  2. Realize o treino normalmente, anotando quanto você ingeriu de líquido durante a sessão.
  3. Pese-se logo após o treino, nas mesmas condições.
  4. Cada grama de diferença corresponde a aproximadamente 1 ml de perda hídrica. Some o que foi ingerido durante o treino para calcular a taxa total de suor.

Exemplo: Se você pesava 70 kg antes, bebeu 500 ml durante e terminou com 69,3 kg, sua perda hídrica total foi de aproximadamente 1.200 ml em uma hora de treino. Isso indica que você precisaria beber cerca de 1,2 litros por hora para se manter completamente hidratado nessas condições — o que pode ser difícil na prática e nem sempre necessário.

Atenção: Não é necessário — nem recomendado — tentar repor 100% da perda hídrica durante o treino. A recomendação atual é manter a perda abaixo de 2% do peso corporal, o que para um corredor de 70 kg significa não perder mais de 1,4 kg durante a atividade.

Hidratação Antes do Treino: A Janela Que Muita Gente Ignora

A hidratação começa muito antes do aquecimento. Um dos erros mais comuns entre corredores — especialmente os que treinam cedo pela manhã — é sair para correr sem se preocupar com o estado hídrico do corpo ao acordar.

Por que o café da manhã pode ser armadilha

O corpo humano perde água durante o sono por meio da respiração e da transpiração natural. Acordar já em leve déficit hídrico é completamente normal. O problema é quando o corredor toma um café forte (a cafeína tem leve efeito diurético), não bebe água suficiente e já sai para o treino com 300 a 400 ml de déficit.

A recomendação geral para a hidratação pré-treino é ingerir entre 400 e 600 ml de água nas duas horas que antecedem a atividade. Para treinos muito cedo pela manhã, quando não há duas horas de antecedência disponíveis, pelo menos 250 a 300 ml ao acordar já fazem diferença.

O teste prático da urina

A cor da urina é o indicador mais acessível e confiável do estado de hidratação. A escala de cores vai do amarelo muito claro (bem hidratado) ao âmbar escuro (desidratado):

  • Amarelo muito claro a transparente: Hidratação adequada ou excessiva.
  • Amarelo claro a palheiro: Ideal para treinar.
  • Amarelo médio a escuro: Atenção — beba mais água antes de começar o treino.
  • Âmbar ou marrom: Desidratação significativa — não é momento de treinar com intensidade.

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escala cor urina hidratação corredor como saber se está bem hidratado

Durante o Treino: Quanto, Quando e Como Beber

A estratégia de hidratação durante a corrida depende diretamente da duração e intensidade do treino. Treinos curtos de até 30 minutos, realizados em temperatura amena, geralmente não exigem ingestão de líquidos durante a atividade — o que foi ingerido antes é suficiente. Mas à medida que a duração aumenta, a hidratação durante o treino passa de opcional a necessária.

Treinos de 30 a 60 minutos

Para essa faixa de duração, a recomendação é beber entre 150 e 250 ml de água a cada 20 minutos, priorizando os momentos em que o ritmo cai naturalmente — como em subidas ou viradas de percurso. Não existe a necessidade de parar completamente; muitos corredores desenvolvem a habilidade de beber enquanto trotam levemente.

Treinos acima de 60 minutos

A partir de uma hora de atividade contínua, a reposição de eletrólitos — especialmente sódio — começa a ser relevante. O sódio é o principal eletrólito perdido no suor e é essencial para manter o equilíbrio osmótico das células. Repor apenas água sem sódio em treinos longos pode, paradoxalmente, levar a um estado chamado hiponatremia — onde a concentração de sódio no sangue cai a níveis perigosos.

Nesse contexto, bebidas esportivas com sódio, géis energéticos com eletrólitos ou pastilhas de sal passam a fazer sentido. A concentração de sódio no suor varia muito entre pessoas — “super-suadores salados” percebem manchas esbranquiçadas na roupa após o treino, o que é um indicativo de alta perda de sódio.

Corridas de longa distância (meias-maratonas e maratonas)

Em provas acima de 21 km, a estratégia de hidratação precisa ser planejada com antecedência, levando em conta os postos de água da prova, o clima esperado e o ritmo de corrida. Uma referência prática usada por corredores experientes é estabelecer um plano de hidratação nos treinos longos de preparação — reproduzindo as condições da prova — e ajustá-lo conforme a resposta do corpo.

Melhor Prática: Nunca estreie um novo produto de hidratação no dia da prova. Géis, isotônicos e pastilhas de sal devem ser testados nos treinos longos com pelo menos 4 a 6 semanas de antecedência para avaliar tolerância gastrointestinal.

Eletrólitos: O Que São e Quando Você Realmente Precisa Deles

O termo “eletrólito” aparece em todo rótulo de bebida esportiva, mas poucos corredores entendem o que são e quando de fato fazem diferença.

Eletrólitos são minerais que, quando dissolvidos em líquido, conduzem eletricidade — e é justamente essa função elétrica que permite a contração muscular, a transmissão de impulsos nervosos e o equilíbrio hídrico entre as células. Os principais perdidos no suor são:

  • Sódio: O mais abundante e o mais crítico. Responsável por manter o volume plasmático e o balanço hídrico.
  • Potássio: Fundamental para a função muscular e cardíaca. Câimbras frequentes podem indicar déficit.
  • Magnésio: Envolvido em mais de 300 reações enzimáticas. Déficit está associado a câimbras noturnas e fadiga muscular persistente.
  • Cloreto: Parceiro do sódio no equilíbrio ácido-base do organismo.

Quando os isotônicos fazem sentido

A grande maioria dos corredores que treina por 30 a 45 minutos não precisa de isotônico — água é mais do que suficiente. A bebida esportiva começa a agregar valor real a partir de:

  • Treinos contínuos acima de 60 a 75 minutos.
  • Atividades em ambiente muito quente e úmido, com sudorese intensa.
  • Treinos intervalados de alta intensidade com duração superior a 45 minutos.
  • Provas de rua, independentemente da distância, quando o clima é adverso.

O problema do açúcar nos isotônicos comerciais

A maioria dos isotônicos disponíveis no Brasil contém concentrações de carboidrato entre 6 e 8%, o que é adequado para reabastecer o glicogênio durante esforços prolongados. No entanto, para quem corre com objetivo de emagrecimento, essa caloria precisa entrar no cálculo do gasto energético total. Uma garrafa de 500 ml de isotônico típico tem entre 120 e 150 kcal — quase o equivalente a 20 minutos de corrida leve.

Opção de HidrataçãoMelhor ParaQuando Evitar
Água puraTreinos até 60 min em clima amenoTreinos muito longos sem suplementação extra
Isotônico comercialTreinos acima de 60 min, provasObjetivo de emagrecimento sem ajuste calórico
Água de coco naturalTreinos médios, boa fonte de potássioNão tem sódio suficiente para treinos muito longos
Solução caseira (água + sal + limão)Alternativa acessível e eficienteDifícil controlar concentrações com precisão
Pastilhas de eletrólitoPraticidade nos treinos longosVerificar composição — algumas têm muito açúcar
opções de hidratação para corredor isotônico água de coco comparação

Hidratação Pós-Treino: A Fase Mais Negligenciada da Recuperação

A janela de recuperação pós-treino é um dos momentos mais estudados da nutrição esportiva — e a hidratação é parte central desse processo. Corredores que terminam o treino e não repõem adequadamente os líquidos chegam ao próximo treino já em déficit, criando um ciclo de desidratação crônica que se manifesta como fadiga persistente, performance estagnada e recuperação lenta.

A regra dos 150%

Uma referência prática e bem estabelecida para a reidratação pós-exercício é repor 150% do peso perdido durante a atividade nas primeiras 2 a 4 horas após o término. Isso acontece porque parte do líquido ingerido é eliminada pelos rins antes de ser absorvida — e o excesso garante que a reposição efetiva seja completa.

Exemplo: Um corredor que perdeu 600 g durante o treino deveria ingerir aproximadamente 900 ml de líquido nas horas seguintes. Isso não precisa ser feito de uma só vez — pode ser distribuído ao longo da tarde ou noite.

O papel dos alimentos na reidratação

A alimentação pós-treino também contribui para a reidratação, especialmente alimentos com alto teor de água e eletrólitos. Frutas como melancia (92% água), laranja e morango, legumes como pepino e tomate, e caldos de sopas com sal são aliados naturais nesse processo.

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Dica Prática: Uma forma simples de saber se a reidratação pós-treino foi bem-sucedida é observar a urina nas primeiras horas após a atividade. Se voltou ao amarelo claro dentro de 2 a 3 horas, a recuperação hídrica foi adequada.

Hidratação no Calor Brasileiro: Estratégias Específicas Para o Nosso Clima

Correr no Brasil apresenta desafios que a maioria dos estudos realizados em países temperados não contempla. A combinação de temperatura alta com umidade elevada — comum em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e praticamente toda a faixa tropical do país — cria condições em que o resfriamento por suor se torna menos eficiente, porque o ar já está saturado de vapor d’água e a evaporação do suor é mais lenta.

Umidade alta: o fator invisível

Em dias com umidade relativa do ar acima de 70% e temperatura acima de 28°C, o organismo sua mais para tentar compensar a menor eficiência do resfriamento por evaporação. O resultado é uma perda hídrica proporcionalmente maior do que em climas secos e quentes — como nos dias típicos de Brasília no inverno, onde a umidade pode cair abaixo de 20%.

A escala de “índice de temperatura de globo negro e bulbo úmido” (IBUTG), usada em medicina do trabalho e esportes de alta performance, leva em conta exatamente essa combinação de calor e umidade. Condições de IBUTG acima de 28°C são consideradas de alto risco para atividades físicas intensas sem adaptação.

Aclimatação: o processo que muda tudo

Corredores que se mudam de cidades frias para quentes, ou que começam a treinar no verão após meses de inverno, passam por um período de aclimatação ao calor que dura entre 10 e 14 dias de exposição gradual. Durante esse processo, o corpo desenvolve adaptações fisiológicas importantes:

  1. Aumento do volume plasmático total, o que melhora a eficiência cardiovascular.
  2. Início mais precoce da sudorese, reduzindo a temperatura corporal com mais eficiência.
  3. Redução da concentração de eletrólitos no suor — o que significa menor perda de sódio por litro de suor.
  4. Melhora subjetiva da tolerância ao esforço no calor.

Durante o período de aclimatação, a necessidade de hidratação é maior do que no estado aclimatado — e a atenção aos sinais de superaquecimento precisa ser redobrada.

Sinais de alerta que exigem parada imediata

  • Pele seca e quente sem suor em condição de calor (sinal de hipertermia grave).
  • Confusão mental, desorientação ou dificuldade de falar.
  • Batimentos cardíacos muito acelerados sem correspondência com o esforço.
  • Tontura intensa ou visão turva.
  • Náusea ou vômito durante o treino.

Atenção: Em caso de suspeita de hipertermia, pare imediatamente, busque sombra, molhe o corpo com água e procure atendimento médico. Não tente continuar o treino.

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Hidratação e Corrida: Mitos Que Ainda Circulam no Brasil

Junto com informações corretas, circulam alguns mitos sobre hidratação que persistem nas comunidades de corrida — nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp e até em academias. Vale desfazê-los com clareza.

Mito 1: “Beba água apenas quando sentir sede.” A sede é um mecanismo de sinalização que já indica déficit hídrico iniciado, especialmente em idosos e em pessoas que não estão acostumadas a se exercitar. Em treinos intensos no calor, confiar exclusivamente na sede pode ser arriscado — a recomendação atual é beber em intervalos regulares, mesmo sem sentir sede, especialmente em treinos longos.

Mito 2: “Quanto mais água, melhor.” A ingestão excessiva de água sem reposição de sódio pode levar à hiponatremia — condição em que o nível de sódio no sangue cai perigosamente. É mais comum em provas longas, como maratonas, onde corredores lentos passam 5 ou 6 horas em movimento e ingerem grandes volumes de água sem reposição eletrolítica adequada.

Mito 3: “Café e chá desidratam e não contam na hidratação.” Em quantidades moderadas — até 3 a 4 xícaras por dia —, a cafeína não causa desidratação clinicamente relevante em pessoas habituadas ao seu consumo. Para quem não é habituado, pode ter leve efeito diurético. Mas o volume de líquido do café ou chá ainda contribui para a hidratação geral.

Mito 4: “Bebidas esportivas são sempre melhores do que água.” Para treinos curtos, água pura é mais do que adequada. Os carboidratos e eletrólitos dos isotônicos são relevantes em esforços prolongados, mas desnecessários — e calóricos — para sessões rápidas de corrida.

Planejando Sua Hidratação: Um Protocolo Prático Para o Dia a Dia

Transformar o conhecimento em rotina é o que separa o corredor que sabe sobre hidratação do que pratica hidratação de forma consistente. Aqui está um protocolo adaptável ao cotidiano brasileiro:

Antes do treino (2 horas antes): Ingira entre 400 e 600 ml de água. Se o treino for pela manhã cedo, beba pelo menos 250 ml ao acordar.

Imediatamente antes (15 a 20 minutos antes): Mais 150 a 200 ml de água. Verifique a cor da urina — se não estiver amarelo claro, beba mais antes de começar.

Durante o treino:

  • Até 30 minutos: geralmente desnecessário em clima ameno.
  • De 30 a 60 minutos: 150 a 250 ml a cada 20 minutos.
  • Acima de 60 minutos: adicione eletrólitos à hidratação.

Após o treino: Repare 150% do peso perdido nas primeiras 2 a 4 horas. Combine com alimentos ricos em água e eletrólitos.

Ao longo do dia: A meta de hidratação não se limita ao entorno do treino. Beber entre 35 e 40 ml por quilo de peso corporal ao longo de todo o dia é uma referência razoável para adultos ativos no Brasil. Para um corredor de 70 kg, isso corresponde a cerca de 2,5 a 2,8 litros diários — incluindo a água presente nos alimentos.

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Conclusão

A hidratação para corredores é, ao mesmo tempo, simples na essência e complexa nos detalhes. Simples porque os princípios fundamentais cabem em poucas frases: beba antes de ter sede, monitore a cor da urina, repita eletrólitos em treinos longos e reidrate após o esforço. Complexa porque a variação individual, o clima brasileiro, a intensidade dos treinos e a duração das sessões criam combinações infinitas que exigem atenção e ajuste contínuo.

O que ficou claro ao longo deste guia é que não existe uma fórmula mágica universal — mas existem princípios sólidos que, quando aplicados com consistência e observação, transformam a hidratação em uma vantagem real dentro do esporte. Corredores que dominam essa variável chegam aos treinos mais preparados, rendem mais nas sessões intensas e se recuperam mais rápido.

Comece pelo básico: monitore a cor da urina, estabeleça um hábito de hidratação pré-treino e teste sua estratégia de hidratação nos treinos longos antes de levar para uma prova. Os ajustes finos vêm com o tempo — e o corpo dá os sinais necessários para quem aprende a ouvi-los.

Se este conteúdo foi útil, compartilhe com outros corredores do seu grupo ou time de treino. E se você tiver uma experiência prática — ou uma dúvida sobre hidratação em situações específicas — deixe nos comentários. Sua vivência pode ajudar outros corredores que passam pelo mesmo desafio.

FAQ: Perguntas Frequentes Sobre Hidratação Para Corredores

Quanto tempo antes do treino devo beber água? O ideal é começar a se hidratar pelo menos duas horas antes do treino, ingerindo entre 400 e 600 ml nesse período. Para treinos matinais, onde essa antecedência não é possível, beba ao menos 250 ml logo ao acordar e mais 150 ml nos 15 a 20 minutos antes de sair. O objetivo é chegar ao treino com a urina em tom amarelo claro — esse é o indicador mais prático de hidratação adequada antes da atividade.

Preciso de isotônico em todos os treinos? Não. Para treinos com duração inferior a 60 minutos realizados em temperatura amena, a água pura é suficiente. O isotônico passa a agregar valor real em atividades acima de 60 a 75 minutos, treinos de alta intensidade em clima quente e úmido, ou em provas de rua independentemente da distância. Para quem tem objetivo de emagrecimento, lembre que isotônicos têm entre 120 e 150 kcal por garrafa de 500 ml — o que precisa entrar no cálculo do balanço energético do dia.

Câimbras durante o treino são sinal de desidratação? Câimbras podem ter múltiplas causas, e a desidratação com depleção de eletrólitos — especialmente sódio e potássio — é uma delas, mas não a única. Sobrecarga muscular, fadiga acumulada, falta de condicionamento específico e deficiência de magnésio também estão associadas a câimbras. Se as câimbras são frequentes e aparecem consistentemente em treinos longos ou no calor, a estratégia de reposição de eletrólitos merece atenção redobrada — e a consulta a um nutricionista esportivo pode ajudar a identificar o fator específico.

Posso substituir o isotônico por água de coco? A água de coco é uma opção natural com boa concentração de potássio e algum sódio, sendo uma alternativa válida para treinos de duração moderada. No entanto, a concentração de sódio na água de coco (cerca de 25 mg por 100 ml) é menor do que em isotônicos formulados para esporte (que têm entre 40 e 50 mg por 100 ml), o que a torna menos adequada para reposição em treinos muito longos com alta sudorese. Para treinos de 60 a 90 minutos, é uma excelente opção; acima disso, pode ser complementada com uma fonte adicional de sódio.

Qual é o risco de beber água demais durante uma maratona? Em provas longas, beber água em excesso sem reposição de sódio pode causar hiponatremia — queda perigosa na concentração de sódio no sangue. Os sintomas incluem náusea, dor de cabeça, confusão mental e, em casos graves, convulsões. O risco é maior em corredores mais lentos que ficam em movimento por 5 horas ou mais e ingerem grandes volumes de água nos postos de abastecimento. A solução é combinar água com isotônicos, géis com eletrólitos ou pastilhas de sódio ao longo da prova — e não beber mais do que a sede e as orientações do plano de prova indicam.

Como a altitude afeta a hidratação na corrida? Em altitudes acima de 1.500 metros — como em treinos nas serras de Minas Gerais, em Petrópolis ou nas montanhas do Sul do Brasil —, o ar mais seco aumenta a perda hídrica pela respiração, e a taxa de ventilação mais alta em esforço amplifica esse efeito. A percepção de sede pode estar reduzida, mas a perda hídrica pode ser equivalente ou até maior do que em planície com calor. Corredores que frequentam eventos e corridas de montanha devem aumentar a ingestão de líquidos e monitorar a urina com ainda mais atenção.

Criança e adolescente que corre precisa de cuidados especiais com hidratação? Sim. O mecanismo de termorregulação em crianças e adolescentes é menos eficiente do que em adultos — eles suam menos por unidade de área corporal e o limiar para a sensação de calor é mais alto. Isso os torna mais vulneráveis ao superaquecimento. Em atividades físicas prolongadas, especialmente no calor, a supervisão sobre a ingestão de líquidos é fundamental. O pediatra ou médico esportivo é o profissional mais indicado para orientar estratégias de hidratação para jovens atletas.

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